sábado, 6 de dezembro de 2014

Frustração

Estou acabando de crer que tem uma coisa muito errada comigo. Devo viver mais fora da realidade do que posso imaginar.
No meu mundo, é normal gostar de uma pessoa e tratá-la de forma carinhosa, querer saber do seu dia, conversar sobre qualquer coisa e rir desses mesmos assuntos. No meu mundo, pedimos desculpas quando pisamos na bola e até passamos por cima das nossas chateações só para ficar bem com quem a gente gosta.
A tecnologia nos colocou tão perto de pessoas que estão fisicamente longe, que podemos participar da vida delas de forma mais ativa.Tenho um amigo que me dá "Bom Dia" todos os dias quando ele levanta ou quando chega no trabalho e nos despedimos antes de dormir. Falar que conversamos o dia inteiro não seria exagero, mas falamos de forma espaçada, nas brechas que o dia vai permitindo.
Não sei se sou apenas eu, mas quando gosto de uma pessoa, quero poder falar com ela e, claro, sentir que ela quer o mesmo. Aquela necessidade de dizer um "oi!" e de receber uma mensagem inesperada no meio do dia... é tão bom...
Só que minha experiência vem mostrando que isso nem sempre é algo que a maioria das pessoas gostam. Confundem com invasão, falta do que fazer, "pegação" de pé e sei lá mais o que. Algo que deveria ser uma coisa tão boa, torna-se desagradável.
Se alguém realmente me conhece, sabe que vivo preocupado com o fato de eu estar incomodando ou atrapalhando as pessoas. Na maioria das vezes procuro deixar que elas puxem assunto, mesmo que eu esteja morrendo de vontade de conversar, pois me retraio ao perceber que estou incomodando.
Minha frustração? Querer dar minha atenção e meu carinho para alguém que deixou bem claro que não é para eu "grudar". Isso é o que dá ter um histórico ruim, pois não consigo ver outro motivo para ouvir isso, já que, nem de longe, tive tempo para "grudar" em ninguém!
Então meus medos e traumas vem a tona e me sinto tão sozinho como na época que eu ficava olhando o sol brilhar pelo reflexo do relógio da estante da sala, procurando posição para continuar olhando-o, conforme ele se movia lentamente...
Não era pra hoje eu estar me sentindo assim, não era pra ver meu Lobo andando longe, entre as árvores, fingindo não me ver. Era pra eu estar aconchegado em seu pelo, feliz por pertencer a alguém, que pelo que parece, alguém que na verdade não me quer por perto.