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sábado, 17 de outubro de 2015

Mudo? Uhm...

Essa semana me falaram que eu devia me relacionar com alguém que soubesse LIBRAS. "Você sabe, imaginar que as pessoas tenham paciência em esperar você escrever em um bloco de notas... Hoje em dia, as pessoas não tem paciência pra nada."
Vamos por partes? Acredito que a maioria das pessoas que usam a linguagem brasileira de sinais (LIBRAS) são as pessoas com deficiência, professores de LIBRAS, familiares e amigos daqueles que tem a necessidade de utilizar-se dessa linguagem. Acho meio estranho imaginar que a maioria (note bem a palavra maioria) das pessoas vá aprender LIBRAS e depois saiam procurando quem se utilizem dessa linguagem para serem seus amigos, namorados, parentes ou algo do gênero.
Acredito que o processo seja assim, você tem um bebê que nasce surdo ou mudo e vai aprender LIBRAS pra se comunicar com ele; você conhece alguém interessante e vai aprender LIBRAS para facilitar a comunicação entre vocês e finalmente, você acha essa linguagem apaixonante, quer aprender e acaba conhecendo varias pessoas que também utilizam-se de LIBRAS.
Nota-se que no parágrafo acima eu escrevi surdo "OU" mudo, pois essa história de achar que a pessoa surda é necessariamente muda, já está bem ultrapassada, não é mesmo? Os deficientes auditivos encontram dificuldade em articular as palavras por não ouvi-las, o que dificulta o processo de aprendizagem em falar. O que não significa que eles tenham problemas nas pregas vocais e que não consigam emitir sons.
No meu caso, eu escuto muito bem, mas sou mudo. As pessoas a minha volta podem falar comigo normalmente, mandar áudio pelas redes sociais e mandar música. Está bem, parece óbvio o que estou citando, mas acredite, tem gente que ainda trava nessas coisas quando eu comento que sou mudo. Também existem aqueles que se afastam por esse motivo, mas isso é outra história.
A princípio eu nem comentava que era mudo, mas comecei esbarrar na história do "manda áudio" e principalmente no fato de quererem me ligar. Quando eu comentava dessa minha deficiência, dizendo que esse era o motivo de eu não atender as ligações ou de não mandar áudios, muitos acabavam nem acreditando, achando que era uma desculpa esfarrapada.
Inclusive cheguei a ouvir um comentário sobre ninguém conhecer alguém que fosse mudo e que existiam pessoas "surdas e mudas", mas só mudas não. Ignorância a parte, vou voltar para o assunto que originou meu post.

Namore com alguém que saiba LIBRAS


"Oi, tudo bem? Você sabe LIBRAS? Não? Que pena, não posso gostar de você."
"Oi, tudo bem? Você é mudo? Que pena, não posso gostar de você."
Pra mim, as duas situações parecem surreais, mas infelizmente, a segunda é mais comum.
Quer saber? Namore com alguém que não seja preconceituoso. Alguém que se depare com uma situação nova e pare pra refletir, pois sei que determinados "pré-conceitos" estão incutidos em nós, mas o bom é que somos seres pensantes e temos o poder de decidir fazer diferente daquilo que nos ensinaram como sendo "o certo".
Enfim, vou namorar com alguém que tenha afinidades comigo, que me aceite exatamente como sou, que seja um cara muito legal, que eu goste dele e que goste de mim. Se ele não souber LIBRAS e nosso relacionamento sair do virtual, com certeza ele vai aprender. Não porque ele vai sair correndo para fazer um curso, mas porque ele vai estar interessado em conversar comigo e aprender vai ser tão natural quanto querer me beijar.

sexta-feira, 21 de março de 2014

PAIS E FILHOS EM LIBRAS - LEGIÃO URBANA

UMA HOMENAGEM AOS MEUS AMIGOS

Invisível

Ando me sentindo meio invisível. Se fosse só no mundo virtual, eu nem ligaria muito, mas estou falando do meu dia a dia. Acho que me escondo tanto do mundo, que até meus amigos e familiares estão desistindo de mim. 
Minha mãe é baladeira pra caramba e é do tipo que vai em todas as festas e eventos familiares, seja em aniversários ou reunião de tupperware. Ela tem uma clínica veterinária, mas todo tempo livre não é usado para ficar em casa. Ela carrega minha irmã para tudo que pode. Chegaria a ter dó se isso não me desse aquele descanso de poder ficar sozinho em casa.
Só que esse ano, eu andei reparando que as pessoas não estão me incluindo em seus planos. Tipo a cara de espanto da minha mãe quando ela diz: "Você vai?!"
Espera, tem pessoas da família que eu gosto e pretendia ir em um aniversário ou almoço de domingo sim, mas... rs... minha mãe prefere levar a amiga dela com os dois filhos menores (que tem mais ou menos a idade da minha irmã), do que contar com a minha presença.
Namorei 4 meses com o Luka e praticamente passava todos os finais de semana na casa dele. Esse tempo foi o suficiente para minha mãe deixar de contar comigo em seus planos? Certo, ela ficou muito decepcionada quando recusei o pedido de ir morar com o Luka, mas imaginei que seus motivos iam além de um quarto vago dentro de casa ou uma vaga a mais no carro dela.

Meu Segredo Virtual

 

Bem, tenho meus problemas quando o assunto é comunicação, pois uma deficiência nas pregas vocais me deixaram um tanto quanto mudo. Não completamente silencioso, mas bem próximo disso. Como a maioria das pessoas não conhecem LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) eu ando com meu bloco de notas e caneta no bolso da calça.
Linguagem Brasieleira de Sinais - LIBRAS
Esse é um dos motivos para eu não trocar de psicóloga... pois encontrar profissionais que eu não precise ficar escrevendo não é tão fácil assim.
Muitas pessoas, até mesmo da minha família, se afastam por constrangimento. Já costumei com isso. Gente, pode falar normal comigo, pois escuto perfeitamente! Você só vai ter o trabalho de esperar para ler a maioria das minhas respostas e perguntas... acho que é por esse motivo que eu gosto tanto do mundo virtual...
Não é só porque as pessoas não tomam conhecimento desse meu problema, mas aqui posso me comunicar perfeitamente.
Não nego que doeu o Wise ter dito uma vez que queria ouvir minha voz... 
Também queria ter contado isso a mais tempo para minha amiga do coração, a Tai, mas tive vergonha de não ter falado isso antes... (perdão, flor...)
O post nem era pra isso, mas o assunto acabou vindo a tona.
Eu estava falando de ser invisível. No mundo real eu entendo as pessoas não conversarem muito comigo, mas isso acaba acontecendo também pela internet. Tento dar atenção para todo mundo que posso, mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Não, nunca é verdadeira.
Enquanto o ser pode despejar seus problemas e frustrações em você, beleza, mas passou disso, você não tem um amigo para bater papo.
Geralmente sou eu que puxo assunto, uma, dez, vinte vezes... dai percebo que estou enchendo o saco, pois a pessoa não tem mais motivos para falar comigo, então me afasto. Fico triste e até esperançoso que aquela criatura sinta minha falta e me procure, mas isso nunca acontece.
Nessas horas é que me sinto cada vez mais descartável.
PS: Post escrito antes de conhecer o Bruno e o Nando, que não caras muito, muito legais!