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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Maluco Beleza!

Vejo tanta gente reclamando de terem que tomar remédios, que cheguei a mudar de ponto de vista algumas vezes. Entre os benefícios e os efeitos colaterais, fico agradecido deles existirem.

"Você é dependente de remédios!"

Eu sou. Por que vocês não falam isso para um hipertenso, um diabético, um portador de HIV, alguém com câncer ou até mesmo para aquela pessoa que precisa de analgésico para uma dor muscular ou uma simples dor de cabeça? Tanta hipocrisia a minha volta!
Eu tomo comprimido para dor de cabeça e tomo comprimido para dormir. Fico menos instável emocionalmente quando tenho minhas "muletas", mas não vejo ninguém reclamar quando as muletas são literais. Você não levantaria do seu acendo no ônibus se um cara chegasse de bota de gesso e um belo par de muletas para conseguir apoiar-se? (Espero que a resposta seja "sim" ou serei obrigado a questionar sua conduta. Você está em uma situação pior que ele, para não poder ceder seu lugar?)
Enfim, estou me sentindo melhor essa semana. Não tive crise, não surtei e não me acabei de chorar porque algo saiu pela tangente da minha expectativa. Aceitar minha realidade de uma forma mais tranquila é mesmo um benefício, pois assim tenho tempo de modificar e digerir o que preciso.
Assumir que vou ao psiquiatra e a psicóloga não é uma coisa fácil de se fazer, já que as pessoas tem um enorme preconceito contra quem procura ajuda quando precisa. Espero que você não seja uma dessas pessoas.


Maluco Beleza - Raul Seixas



terça-feira, 7 de abril de 2015

Botões e Surtos Aleatórios

Escrever tornou-se um vício.
Mesmo estando meio grogue dentro de casa eu ainda gosto de escrever...
Sem terapia para mim hoje. Minha visita ao meu médico ontem já foi o suficiente para eu querer me enterrar embaixo das cobertas. Não sei se estou deprimido ou se é só o efeito dos remédios que eu tive que voltar a tomar.
Botões coloridos da minha infância
Pensei mesmo que estava pronto para deixar de tomar algumas coisas, mas a realidade é outra. Pelo menos, em alguns dias, volto a parecer superficialmente com uma pessoa mais normal, pois nas ultimas três semanas, instabilidade foi o meu nome do meio.
Acredito que ter trabalhado com minha mãe piorou meu quadro, pois repentinamente tudo tomou uma hiper dimensão e eu simplesmente tirei o pé do razoável. 
Pelo que sei, Peter Pan chamava botões de beijo e eu chamo meus comprimidos de botões, pois se eu colocar todos os que eu tomo em um dia dentro de um único copo, eles lembram o pequeno compartimento da máquina de costura da minha avó, onde ela guardava seus botões coloridos que eu via quando era um garotinho de uns seis ou sete anos. Era tão bonito.
Depois de alguns minutos você relê o que acabou de escrever e percebe que sua linha de raciocínio deu um pequeno salto do contexto inicial do assunto principal, mas eu estou me perdoando por isso nesse momento. 
Outro dia um amigo disse que não sentia-se muito bem e que a sensação de medo e agonia tinham voltado. Quando questionei sobre o que exatamente ele estava com medo ou agoniado, ele explicou que era sem motivo aparente, mas que isso lhe fazia muito mal. Imaginei que o melhor conselho seria dizer a ele procurar um psicólogo para obter orientação, mas fui surpreendido. 

"Prefiro ficar na minha ou vão pensar que sou louco."

Uhau!! Foi só nesse momento que percebi o que ele realmente pensava ao meu respeito, pois vou ao psicólogo, ao psiquiatra e ainda tomo remédios controlados. Estou em tratamento porque ESTOU doente e não porque SOU louco. Queria saber qual a diferença de alguém que não está bem e que vai ao médico procurar ajuda, daquela que não está bem, mas finge que está só para não ter que ouvir criticas? Doença tem cura, mas o preconceito tem? Gente assim tem aos montes, mas prefiro me tratar do que ficar preocupado com a opinião dos outros.


Lágrimas e Chuva - Leoni e Léo Jaime