terça-feira, 25 de agosto de 2015

Tempestades

Imagem: Moises S. Costa
Nesse momento eu me visualizo em um dia claro, de sol morno e uma brisa gostosa. De fundo, uma arvore frondosa e uma visão de um campo aberto, com o cultivo de uma vegetação que nem sei qual é. Acredito que trigo daria esse aspecto dourado a minha plantação imaginária, mas não tenho certeza. 
Pequenos detalhes vão transformando minha paisagem aos poucos. Uma revoada de pássaros deixa os galhos da minha árvore sem fazer alvoroço... Um som que estava presente até agora, parece ter se calado, até senti falta dele, mas não lembro se eram pessoas a minha volta que conversavam e riam ou se eram aqueles pássaros que foram embora que cantavam... não lembro.
Olhando a volta, na verdade estou sozinho.
Um cheiro úmido vem de longe, trazendo uma sensação que conheço tão bem. Eu sei, esse é aquele "ar de chuva" que se aproxima. O sol ainda parece brilhar morno, mas o ar da chuva já levou todo seu calor.
Alguém poderia dizer que o dia continua o mesmo, mas estou percebendo os pequenos detalhes que demonstram que a tempestade vai vir. Já vejo aquela plantação dourada balançar de forma diferente.
Não me diga que o dia é o mesmo, se conheço tão bem esse presságio. Outras vezes ignorei os detalhes das minhas paisagens, fingi não ver e fui pego pelo temporal. Também já aprendi que correr não adianta, porque existem coisas que te alcançam onde quer que você vá.
Há muito tempo também aprendi que lágrimas se perdem na chuva.
Agora é só esperar porque sei que a tempestade está chegando.

Versalles - Vinte Graus