sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Rejeição!

Primeiros Passos!
Rejeição é uma coisa complicada de se lidar, pelo menos para mim.
Começa quando sua mãe deixa claro que era muito nova quando fez a burrada de engravidar. Acho que a única coisa boa, na concepção dela, que valeu a pena na época, foi eu ter nascido com problemas nas pregas vocais e ela não ter que aturar o choro de criança recém nascida pela casa.
Até aí dá para entender, pois ela tinha apenas 17 anos quando eu nasci. O problema é que o tempo foi passando e ela não amadureceu completamente. Hoje trato minha mãe como uma adolescente que preciso ficar de olho, pois ela não sabe se cuidar sozinha.
Eu sei que é muito feio falar da própria mãe, mas acreditem, a maioria dos filhos tem reclamações em relação as suas amadas progenitoras. Ninguém é perfeito, ser pai e mãe deve ser a coisa mais aterrorizante do mundo, pois os bebês não vêem com manual de instrução.
Já ouvi minha mãe falar que nunca quis cometer os mesmos erros que minha avó cometeu em relação a sua criação, pois ela era aquela mãe autoritária, com mania de organização e deixava os filhos loucos com seu perfeccionismo, pelo menos é isso que escuto ela e meus tios falarem. Minha mãe sempre foi a caçula rebelde e ainda se porta como tal.
Ela é veterinária e ama seus pacientes mais que qualquer coisa na vida. Se houver uma emergência, lá está ela correndo atrás... isso quando não me arrasta junto no meio da noite pra poder resolver a vida de algum cachorro ou gato que está necessitando de sua presença.
Mesmo com essas coisas que não gosto em você, acredite que eu te amo!
Não reclamo, pois também amo bichos e cansei de chegar em casa todo imundo por causa disso. Certo que tomo banho de álcool depois dessas aventuras, mas fico feliz de ver as coisas darem certo e minha mãe abrir aquele sorriso bobo de missão cumprida.
Todo mundo tem defeitos e qualidades, e também sei que não sou o filho perfeito, mas minha mãe poderia pegar leve quando resolve ficar estressada e despeja o mundo na minha cabeça. Não posso ser culpado de todas as coisas que ela me acusa e não sei lidar com sua violência física e verbal toda vez que seus planos não dão certo.
Claro que amo minha mãe, mas cada vez que ela me olha e pergunta: "Por que não termina o que começou?" referindo-se ao fiasco que foi minha tentativa de suicídio (se não deu certo, é porque fui mal sucedido), fico imaginando o que ela tem dentro do peito. Sabe, aprendi as duras penas que errei quando fiz essa besteira e não pretendo agir assim novamente, mas não nego que lidar com as emoções não é mesmo o meu forte.
Dou dois passos para frente e um para trás todo o tempo, mas mesmo assim considero que estou progredindo. Queria muito que ela ficasse feliz com as minhas vitórias, mas como não sei rolar e dar a patinha, não posso esperar muito de seu reconhecimento.
Vejo ela e minha irmã mais nova brigando pelo melhor ângulo do espelho enquanto se arrumam para sairem e acabo imaginando quem é mais adolescente das duas.
Por enquanto fico aqui, cuidando delas e tentando melhorar a cada dia que passa. Minha arma secreta ainda é a panela de brigadeiro, pois é a única coisa que me salva na época da TPM que as duas sofrem (juntas)... ops, não são elas que sofrem... sou eu!!