quinta-feira, 2 de abril de 2015

Nunca Desejei Tanto uma Segunda-Feira!

Minha mãe ganhou uma botinha de gesso no pé direito depois de um tombo besta na cozinha de casa. Teimosa, só aceitou ir ao hospital depois de dois dias que o pé não parava de doer. Quinze dias de botinha... na hora eu ri, ma não imaginei que seria a minha vida a virar um inferno nesses dias.

Nos primeiros dias ela ficou em casa, mas quem segura essa mulher quando o assunto é sobre seus clientes caninos?
Apesar dos meus vários problemas psicológicos, desde que eu não esteja sozinho e nem em um transito lotado, consigo dirigir normalmente. Minha mãe sabe disso e acabou aproveitando-se da situação. Duas semanas (que não terminaram ainda), foi o que ela pediu para o meu pai "me emprestar" para trabalhar com ela. Deus, por que ele disse sim?
Ando me sentindo assim e acho que estou sendo explorado!
A clínica nem é tão longe de casa, fora que os horários dela são bem irregulares, o que facilita ela não pegar horário de rush, pois tem dias que entra as 10 horas da manhã e outros que tenho que tirar ela da cama às 5 horas com o café já pronto.
Não me importo de dar banho em cachorro, tosar ou fazer curativos, afinal já trabalhei com ela antes e essa rotina não me desagrada. Tão pouco me importo de fazer limpeza pesada, mas aguentar minha mãe o tempo todo já é outra história! Ela tumultua!
Toda hora minha mãe me chama, conseguindo ser mais barulhenta do que alguns de seus clientes! Parece que não consegue me ver quieto, que já arranja coisa pra eu fazer, mas o pior de tudo é ser apresentado para cada pessoa que entra no consultório dela.
"Esse é meu filho, bonitão né?" Sério isso? A maioria das mães acham seus filhos bonitos, mas não precisam colocar a gente em situações como esta! Pior é que ela sabe que sou gay, mas ainda insiste em agir assim quando a proprietária do animal é mulher.
Nesses dias ela conseguiu bagunçar meus horários de dormir e de comer, conseguiu me tirar do sério umas três vezes e tive que me enfiar em remédio para não ter crise. Quando minha avó fala que eu deveria ir morar com ela, eu penso na minha irmã caçula, mas nem sempre isso parece tão má ideia.
Segunda volto para meu estoque seguro, confortável e dez vezes mais silencioso...
Amo minha mãe, mas trabalhar com ela é impossível, pois as emoções ficam brincando de montanha russa e eu acabo transportando isso para o meu mundo. Esses quinze dias (que ainda não terminaram) já me rendeu duas DRs, pois coloquei no mesmo balaio cachorros, gatos e meu Lobo! Coitado, nem eu estou me aguentando!