sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sonhando Acordado

Outro dia escrevi isso para ele e postei no Tumblr:

"Na minha imaginação, eu sei onde você estuda. Banho, faço bem a barba para não parecer tão velho perto de você e passo gel no cabelo para deixar espetado (apesar de você me zoar por causa disso).
Troco de roupa. Calça jeans, tênis e camiseta. Experimento três camisetas diferentes, só para escolher uma que acho que vou ficar menos pior…
Confiro a carteira antes de sair de casa, pego a chave da moto, mas prefiro ir de ônibus (moro relativamente perto na minha imaginação).
Olho no espelho mais uma vez antes de sair. Aperto os lábios na tentativa de um sorriso. Não funciona muito bem, pois minha cara está péssima. Passo um perfume que gosto.
Nervoso. Fico parado na calçada do outro lado da rua, de olho no portão da sua escola. O coração está apertado…
Estou ansioso, nervoso e agora o coração está acelerado, pois acabei de ver que os portões foram abertos e os alunos estão começando a sair.
Sinto meu rosto queimar, sei que estou vermelho. De longe, eu te vejo. Fico procurando teu olhar, quero que você me enxergue.
Nossos olhares se cruzam. Eu sei que você me reconhece. Não consigo sustentar o olhar por muito tempo, desvio rapidamente, mas não consigo ficar sem te olhar por mais de três segundos… Minha cabeça está confusa. Você vai deixar seus amigos e vir falar comigo?
Fico ali parado, esperando sua reação. Aperto os lábios de novo, igual eu fiz em casa, tentando sorrir… mas sei que não convence…
Fiquei tão feliz quando você veio em minha direção. Seu sorriso é uma das coisas que mais gosto. Quando bagunçou meu cabelo, percebi que inconscientemente deixei ele assim de propósito. Acho que qualquer contato físico é importante quando se está com o coração tão apertado quanto o meu.
Sei que não posso dar bandeira perto dos outros, pois não imagino se as pessoas a nossa volta sabem que somos gays, ou melhor, se aceitariam ver eu te dar um beijo, mesmo no rosto.
Seriam dois problemas. Sermos homens e eu ser tão mais velho que você. Queria poder te dar aquele beijo no rosto, escorregando a boca de leve, só para o canto dos meus lábios poderem encostar nos seus. Meu coração ia conseguir pular mais rápido ainda, mesmo eu achando que nesse momento isso seria impossível.
Você é um menino mesmo, mas consegue mexer com minha cabeça de forma violenta. Faz eu perder o sono, chorar, reclamar para meus amigos e até para os seus, o fato de estar me tratando diferente depois de… de quase começarmos um namoro… Assim, meio de brincadeira, mas mais sério do que eu poderia imaginar.
Conversamos sobre qualquer coisa enquanto andamos, um do lado do outro, em direção a sua casa. Queria poder segurar sua mão e te beijar a boca, mas ainda não posso. Não sei se algum dia vou poder."